quarta-feira, 8 de outubro de 2014

PARADIGMA INOVADOR - ANOTAÇÕES DE UM MESTRANDO - III

ANOTAÇÕES DE UM MESTRANDO - III
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
ESCOLA DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES
PPGE – MESTRADO E DOUTORADO EM EDUCAÇÃO

DISCIPLINA: PARADIGMAS EDUCACIONAIS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
PROFESSORA: Dra. MARILDA APARECIDA BEHRENS
ALUNO: GENALDO LUIS SIEVERT
PARADIGMA INOVADOR
QUADRO SINÓPTICO - DATA ENTREGA 26 DE ABRIL DE 2012.
Escola
Professor
Aluno
Metodologia
Avaliação
“O ensino deve enriquecer e aprofundar a relação consigo mesmo, com a família e membros da comunidade global, com o planeta e com o cosmos”. O que se pretende é que o homem recupere a visão do todo. Superar a visão fragmentada: o grande desafio. O desafio para a escola é: unir intelecto e formação através de valores, sentimentos, solidariedade, tolerância, harmonia. Superação do reducionismo. O amor, a paixão pelo fazer, a emoção, a intuição devem alicerçar a nova condição do saber ensinar, aprender ensinando. Saber respeitar as diferenças. Saber trabalhar em comunidade, compartilhamento. As partes realizando o todo.
Passa a ter papel fundamental para a superação do fragmentado. Precisa buscar caminhos alternativos para uma educação relevante, significativa e competente. Necessita mais que nunca instigar seus alunos em busca da recuperação de valores perdidos, (honestidade, solidariedade, igualdade, harmonia). Necessita poder integrar interculturalmente estimulando a visão planetária das coisas. Precisa e deve visualizar o aluno como um sujeito pleno e capaz. Precisa ser um facilitador. Saber aprender com seus erros; saber ouvir, perceber. Praticar uma pedagogia renovadora estimulando o aluno a reconhecer-se capaz de realizar as atividades, capaz de buscar opções possíveis e oriundas da realidade em que vive.
Vive coletivamente, compartilha sua humanidade nas redes sociais, mas é único, competente e motivador. Este aluno é capaz de explorar diversos contextos ao mesmo tempo. Mesmo assim apenas dois tipos de inteligência são explorados neste contexto: a linguística e a lógica. Este aluno está adormecido em suas outras inteligências cabendo ao professor despertar e construir em conjunto novas práticas educativas. A escola e a família já não são as únicas fontes de conhecimento. Este aluno necessita que o caminho da ética e da crítica lhe seja mostrado para que uma nova e justa sociedade se erga.
Trabalho colaborativo, em parceria significativa, buscando uma prática pedagógica produtiva, reflexiva e transformadora com autonomia e qualidade. Relações pessoais e interpessoais. Saber reconhecer o conhecimento do outro e aprender com isto. Processo coletivo de ensinar e aprender.
Visa o crescimento gradativo e respeita o aluno em suas dificuldades e o eleva em suas virtudes. O processo avaliativo a está a serviço da construção individual e coletiva. O erro pode ser o caminho para o acerto.Os alunos devem ser incentivados à reflexão com o objetivo de lhes estimular a inovação, o questionamento, a superação de um fracasso. Repensar, fazê-los repensar os processos, avaliar suas atitudes e reconhecer em si um ser com potencial criativo capaz de conviver e aprender harmoniosamente.
Referências:
BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma emergente e a prática pedagógica. Petropólis, RJ, 4. Ed. Vozes, 2010.
CAPRA, Fritjof. A teia da vida: uma compreensão cientifica dos sistemas vivos.  São Paulo: Cultrix, 2006.
FERGUSON, Marilin. Ver e voar: caminhos para o aprendizado. In: Conspiração Aquariana. Xerocópia fornecida (capitulo 5-p. 264 a 305).
Global alliance for transforming education (GATE). Educação 2000. Uma perspectiva holística. Tradução: Rita de Cássia Santos Vanin.

http;//.hent.org/gate.htm 

A CRISE DOS PARADIGMAS DA CIÊNCIA - ANOTAÇÕES DE UM MESTRANDO II

ANOTAÇÕES DE UM MESTRANDO - II
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
ESCOLA DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES
PPGE – MESTRADO E DOUTORADO EM EDUCAÇÃO

DISCIPLINA: PARADIGMAS EDUCACIONAIS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
PROFESSORA: Dra. MARILDA APARECIDA BEHRENS
ALUNO: GENALDO LUIS SIEVERT
A CRISE DOS PARADIGMAS DA CIÊNCIA – 12/04/2012
BEHRENS: 1) Influência cartesiana e newtoniana levou a uma mentalidade reducionista. Provocou no homem uma visão reducionista e fragmentada da verdade e de si mesmo. O paradigma caracterizou-se não como um erro histórico, mas como uma trajetória necessária no processo de evolução do pensamento humano. Restrição à reprodução do conhecimento, marcados pela cópia e imitação. Produto e resultado como finalidades. 2) Tecnicismo e especialização, voltada para a formação utilitarista, técnica e científica em detrimento da visão do todo, isolando o homem das emoções que a razão desconhece, deixando ao segundo plano a solidariedade, a humanidade, a sensibilidade, o afeto, o amor e o espírito de ajuda mútua. 3) Uma nova proposta surge com as novas teorias, como por exemplo o proposto por Capra em A teia da vida; Prigogine com a proposta “teoria das estruturas dissipativas e pelo princípio da ordem por meio das flutuações” (probabilidade e irreversibilidade) ordem a partir do caos; novo paradigma como uma rede de relações, conexão, inter-relações, teias, movimento, fluxo de energia em constante processo de mudança mesmo que impregnado pelos resíduos do Paradigma anterior sob a influência do pensamento newtoniano-cartesiano.  Desfio proposto: buscar a influência desse novo paradigma no processo educativo, nas propostas pedagógicas e no fazer docente.

. MORAES: 1) Pensamento reducionista em prol da evolução de métodos racionais para evolução da humanidade. Se a realidade é complexa exige uma visão abrangente e multidimensional para o entendimento da realidade e da construção da ciência. O pensamento cartesiano como única base segura para compreensão do homem e da natureza. 2) A evolução centrada na racionalidade levou ao processo natural  do fragmentar. O racional excluindo as partes do todo. Newton complementa esta ideia trazendo ao mundo a formulação matemática da concepção mecanicista da natureza. Este ponto é considerado culminante e consistente ancorando nos séculos vindouros o paradigma reducionista e fragmentador. Influência do divino desaparece da visão científica do mundo. Base filosófica newtoniana-cartesiana como elemento essencial e indispensável do pensamento. Aponta em Kant: “conhecer é um ato único, mas complexo, em os dados empíricos são organizados pelo sujeito lógico”. Dois pontos importantes: separação entre o conhecimento científico e o proveniente do senso comum e a separação entre a natureza e a pessoa humana. 3) Da ciência clássica ao pensamento atual a humanidade presenciou: um mundo pentassensorial, racional (fragmentado e tecnicista) e a evolução para um mundo com conhecimento mais profundo do todo, mundo e vida. A destruição dos valores pessoais, da natureza, a visão que ignora o todo passa por uma nova reformulação em busca do holístico. Provocou a aceitação da separação do corpo da mente, a desconexão. Desafio proposto: busca da superação da fragmentação e do tecnicismo em prol de vida mais humana; recuperação do sensitivo, da compreensão da vida em conexão múltipla, do compartilhamento em prol do rompimento e do aproveitamento dos avanços tecnológicos. Reconstruir a humanidade em novas bases.

MORIN: 1) Enfermidade cognitiva pela ausência do conhecimento e dos problemas-chave do mundo. O conhecimento é o mundo. Problema universal para qualquer um: acesso a informação, sua organização e articulação, como perceber e conceber. 2) Insuficiência provocada por dados isolados. O contexto, o global, o multidimensional e o complexo como necessários para a relação entre as partes do todo organizadas ou desorganizadas. A necessidade de recomposição do todo. Impossibilidade de conhecer as partes sem conhecer o todo e todo sem as partes. 3) Quanto mais poderosa é a inteligência geral, maior é a sua faculdade de tratar problemas especiais. Livre exercício da curiosidade, faculdade mais difundida e mais viva da infância e da adolescência. A contradição como obstáculos à evolução da humanidade, da alteração de paradigmas. A hiperespecialização como impeditivo para uma visão do global. A divisão impossibilita entender o conjunto. Reducionismo: um impeditivo ao progresso. A inteligência cega torna-se inconsciente e irresponsável. A humanidade deve se aproveitar do tecnicismo, porém, sem subordinação a este. O desenvolvimento a qualquer custo provocou cegueira gerando inúmeros erros sociais, técnicos e educacionais entre tantos outros.         Desafio proposto: a educação como promotora de uma “inteligência geral” apta a referir-se ao complexo, ao contexto, de forma multidimensional e numa concepção global. Compreender um pensamento que separa e que reduz por meio de um pensamento que distingue e que religa.
Referências:
BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma emergente e a prática pedagógica. Petropólis, RJ, 4. ed. Vozes, 2010.
MORIN, Edgar. Os sete saberes para a educação do futuro. Lisboa, Portugal: ed. Neograf, 2002.

MORAES, Maria Cândida. Paradigma educacional emergente. 9. ed. Campinas, SP: Papirus, 2009.

PARADIGMAS CONSERVADORES - ANOTAÇÕES DE UM MESTRANDO I

ANOTAÇÕES DE UM MESTRANDO - I
PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DO PARANÁ
ESCOLA DE EDUCAÇÃO E HUMANIDADES
PPGE – MESTRADO E DOUTORADO EM EDUCAÇÃO

DISCIPLINA: PARADIGMAS EDUCACIONAIS NA PRÁTICA PEDAGÓGICA
PROFESSORA: Dra. MARILDA APARECIDA BEHRENS
ALUNO: GENALDO LUIS SIEVERT
PARADIGMAS CONSERVADORES – 29/03/2012
QUADRO SINÓPTICO
Abordagem
Tradicional
Escolanovista ou Humanística
Tecnicista ou Comportamentalista
ALUNO
Um ser receptivo e passivo. Obedece sem questionar. Realizador de tarefas, preferencialmente sem questionar seus objetivos. Mesmo o adulto é visto como aluno miniatura. Ao aluno cabe repetição automática dos dados que a escola forneceu ou a exploração racional destes. Apresenta com frequência compreensão parcial do conteúdo.
Passou a ser a figura central do processo ensino-aprendizagem, levados em conta os aspectos psicológicos. Deve ser responsabilizado individualmente para trilhar caminhos e experiências significativas cujo objetivo é a aprendizagem. Deve ser um sujeito ativo, em busca de descobertas que deem sentido à sua vida na sociedade. Deve ser ativo, ter iniciativa própria, determinado. Deve responsabilizar-se pelos objetivos referentes à aprendizagem que tem mais significado para ele. Deve se compreendido como um ser que se autodesenvolve. Este processo deve ser facilitado pelas novas metodologias.
Ao educando caberia o controle do processo de aprendizagem. Devem apresentar respostas prontas e corretas. A incessante busca pelo conhecimento torna o aluno condicionado, responsivo e crítico. Fica privado de criticidade, pois segue a risca os manuais e instruções. Demonstra eficiência e competência requeridas pela sociedade.
PROFESSOR
Apresenta conteúdo como pronto e acabado. Proporciona a reprodução e repetição. Dono da verdade. Distante dos alunos. Conteúdos apresentados de forma fragmentada. Conhecimento inquestionável. O professor é o mediador entre os alunos e os modelos. Detém o poder decisório. Compete a este informar e conduzir. As relações sociais praticamente são suprimidas. Professor é o guia.
O professor não transmite conteúdo. Deve ser um orientador, assistente e facilitador da aprendizagem. O conteúdo deve advir das experiências que o aluno constrói ou reconstrói. O professor deve criar condições para os alunos criarem. Este apoio deve ser espontâneo, positivo, acolhedor, assegurando a convivência harmoniosa. Tem autonomia para criar seu próprio material em busca da relação para o crescimento individual de cada aluno. Deve estar aberto às novas experiências que vivenciará com este novo processo. Deve aceitar o aluno tal como é. Aceitação e compreensão são fatores fundamentais na relação professor-aluno. Combs (1965, Apud. Mizukami) o professor é, primariamente, uma personalidade única. [...] daí não ser possível ensinar ao professor um repertório de estratégias de ensino. Este desenvolverá seu próprio método.
Caracteriza sua atuação pela transmissão e reprodução do conhecimento. É um elo de ligação entre a verdade cientifica e o aluno. Aplica o sistema instrucional. A forte influência cartesiana leva o professor ao determinismo e ao racionalismo. Técnica pela técnica em busca do desempenho. Responsabilidade de planejar e desenvolver o sistema de ensino-aprendizagem com o objetivo de maximizar o desempenho do aluno (tempo, esforço, custos).
METODOLOGIA
Caracterizada por aulas expositivas e demonstrações do professor. Fundamentada em quatro pilares: escute, leia, decore e repita. Reprodução automática por parte dos alunos; é considerado um indicador de que houve aprendizagem; o produto foi entregue e acabado. Privilegia a lógica, sequencia e ordenação dos conteúdos. Não leva em consideração o aluno que deve: escutar, ler, decorar, repetir.  O ponto fundamental desse processo será o produto da aprendizagem. Privilegia a memorização, repetição e a exatidão. Dar e tomar a lição. Professor agente, aluno ouvinte. Perguntas diversas para chegar ao objetivo proposto. Classe como um auditório.
Nesta nova proposta assumem importância secundária. Centra-se nas unidades de experiências que o professor vai produzir junto com seus alunos. Grande importância às unidades de experiências e trabalhos em grupos. Respeita o ritmo do aluno. O método proposto pelo professor deve levar em conta as características dos alunos. A característica básica dessa abordagem é a importância atribuída à relação pedagógica. É necessário um clima favorável ao desenvolvimento das pessoas, de um ambiente que possibilite aprender com liberdade. Respeito incondicional pelo outro. Apesar de criticar a transmissão dos conteúdos não defende a supressão destes. Estes conteúdos deverão ser significativos; que assumirá a postura da pesquisa, crítica e aperfeiçoamento ou mesmo substituição com a orientação do professor.
Ganha amplitude neste contexto, pois inclui a aplicação da tecnologia educacional e estratégias de ensino, quando formas de reforço no relacionamento professor-aluno. A individualização do ensino surge nesta abordagem, decorrente de uma coerência teórico-metodológica (objetivos específicos, envolvimento do aluno, feedback constante, respeito ao ritmo individual de cada aluno). Ensinar para a competência (especificação dos objetivos em termos comportamentais), como um conjunto de atividades que facilitam a aquisição de um ou vários objetivos de ensino. O que se quer ensinar; em que nível se quer que o aluno aprenda e quais as condições às quais os alunos devem responder. O treino aparece como uma meta para atingir a aprendizagem. Valoriza as aulas expositivas e os exercícios repetitivos. O planejamento das atividades foi o grande salto da escola tecnicista (objetivos, conteúdo, procedimentos, recursos e avaliação). Utilização de mídias exigindo do professor habilidades específicas.
AVALIAÇÃO
Impede a criação dos alunos visto que é tradicional. Busca respostas prontas. Inibe a reflexão para a resposta. Apresenta-se como única forma de avaliação. Visa exatidão da reprodução do conteúdo. As notas obtidas funcionam como níveis de aquisição do patrimônio cultural. Mede-se pela quantidade e exatidão das informações que se consegue reproduzir.  
Autores como Rogers e Neill são contrários a qualquer tipo de padronização. Rogers defende a auto-avaliação. Considera-se, pois, que só o indivíduo pode conhecer a sua experiência e que só este pode julgar a partir de critérios internos e externos. O aluno deverá assumir responsabilidades pelas formas de controle de sua aprendizagem, avaliar o alcance de seus objetivos. Tem como pressuposto essencial a busca de metas pessoais. A proposta de avaliação deve ser feita desprezando a padronização. Ressalva: este pressuposto foi aplicado em escolas muito bem equipadas destinadas à elite. Em larga escala de aplicação houve dificuldade, visto a falta de equipamentos e preparo dos professores para assumir esta nova proposta. O discurso era este, porém, a prática continuava tradicional.
A educação é proposta como em uma fábrica: o aluno acaba por resultar como um produto. A avaliação acontece em dois momentos: 1° para estabelecer pré-requisitos para alcançar objetivos. 2° momento avaliação ao que se propôs nos objetivos instrucionais ou operacionais. A abordagem tecnicista leva à repetição. O risco para o aluno permanece como uma variante de preocupação. A questão é como unir tecnologia e políticas para o ensino. Os alunos são modelados com o decorrer das instruções. A avaliação, assim, ocorre no final do processo instrucional com a finalidade de conhecer se os comportamentos foram os desejados.
ESCOLA
Local onde que, por excelência, se realiza a educação. Local austero, conservador e cerimonioso. Função de preparar intelectual e moralmente. Disciplina rígida. Local de apropriação do conhecimento. Reprodutora. Agencia sistematizadora de uma cultura complexa. Utilitarista quanto a resultados e programas preestabelecidos. É vertical – do professor para o aluno. Considera o ato de aprender como uma cerimônia distanciando o professor dos alunos. Ênfase na intervenção do professor para garantir a apropriação do conteúdo.
Influenciada por pensadores como Rogers, Dewey, Montessori, Piaget. No Brasil por volta de 1930 num momento de renovação de ideias, novas aspirações e antagonismos políticos, econômicos e sociais. Surge como um movimento de reação à pedagogia tradicional. Busca dar ênfase ao indivíduo e à sua atividade criadora. Mostrou-se significativa, pois procura alterar a condição existente da escola tradicional. A prática educativa passou a ser a criança. Objetivo: mudança do indivíduo com autodesenvolvimento e realização pessoal. Esta tendência dá ênfase a relações interpessoais e ao crescimento que delas resulta centrado no desenvolvimento da personalidade do indivíduo. O emocional do indivíduo é a preocupação. Orientação para o autoconhecimento para uma visão autêntica de si mesmo com busca da realidade individual e grupal. Deve possibilitar a autonomia do aluno.
É aceita como uma agência educacional que deverá adotar e manter controle de acordo com os comportamentos que pretende utilizar e manter. Manter, conservar e em parte modificar os padrões aceitos como úteis e desejáveis. Procura direcionar o comportamento humano às finalidades de caráter social. O conteúdo pessoal passa a ser o conteúdo socialmente aceito. Tem o papel fundamental de treinar os alunos, funcionando como modeladora do comportamento humano. À educação compete: organizar o processo de aquisição de habilidades, atitudes e conhecimentos específicos, úteis e necessários para a integração do indivíduo na máquina social globalizada. A escola tecnicista absorveu os impactos do capitalismo e visa transpor estes do conhecimento de “fábrica”  para educação escolar.
Referências:
BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma emergente e a prática pedagógica. Petropólis, RJ, 4. Ed. Vozes, 2010.

MIZUKAMI, Maria da Graça. Ensino: as abordagens do processo. SP. EPU, 1986.  

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Luz

Luz
Uma reflexão de Genaldo Luis Sievert


Em um natal da minha infância eu recebi de presente uma bicicleta. Preciso descrever esta alegria? Se você já recebeu algum presente que preencheu você com muita alegria – você sabe que foi assim que me senti.


            Qual a relação da manifestação acima com o meu suposto conhecimento sobre o que significa a Luz, ou o que é, ou o que representa individualmente?
É o meu desejo de expressão, de livre manifestação. Isto é uma grande alegria para mim, minha Luz que se manifesta alegremente.
            O entendimento da terminologia Luz tem para o Maçom significado especial. Em sua iniciação é a manifestação clara de portas que se abrem diante do neófito. Há alusão sobre o seu significado na obra de Aristóteles, para quem a ação do intelecto ativo humano sobre a alma humana era comparável à luz.
            A palavra LuzLumen ou Lux, neste caso derivada do latim pode representar muitas manifestações e traduzir-se em muitos significados. Assim filósofos como Aristóteles, Cicero, Plotino entre outros estudaram seu significado, manifestando-se em estudos sobre a vida, a amizade e as intemperanças e esperanças dos homens.
            É a Luz que nos torna racionais, sensatos, tolerantes e benevolentes. É a Luz continua que mantém o canal de comunicação com Deus e que nos conduz à Fé. É a Luz que nos torna críticos e racionais, que torna possível distinguir o bem do mal, a verdade da mentira, a tolerância da intolerância, a Luz é o fio tênue e firme que cruza o universo, separa impurezas, traduz incertezas em certezas, traduz a dúvida em clareza, transforma impurezas em belezas, abriga vidas, interliga natureza e homem e esta mesma Luz não se sobrepõe à escuridão e nem esta àquela. Esta mesma Luz se manifesta na vida de todas as vidas em seus mais distintos espaços, mesmo daquelas que não visualizamos a olho nu.
            A mesma Luz que se manifesta no dia, e emana do espaço, é a que se manifesta em Deus em sua infinita bondade e alcance. Assim como não podemos aprisionar a Luz, assim, também, o homem não pode ser aprisionado e a sua manifestação por atos, palavras e outras formas de comunicação o tornam eternamente livre, livre para escolher e é o que fazemos quando nos aceitamos como maçons livres e de bons costumes.
            Assim como a Luz se manifesta no princípio da vida assim também o faz quando da nossa passagem ao mundo espiritual. Manifesta-se na Iniciação na Maçonaria, assim como ocorre no batismo no Cristianismo, por exemplo, e é esta a forma pela qual se faz Luz.
            Ao se manifestar por palavras nas formas verbal ou escrita é outra possibilidade de se obter a Luz, atos e pensamentos também podem se manifestar como Luz.
            Somos filhos da Luz, da Luz do mundo. E como poderemos ser dignos desta Luz... Participando... Participando ativamente da vida que vivemos, auxiliando, convivendo, se envolvendo e se deixando envolver, preservando e se manifestando em prol da verdade, de viver cada um a sua realidade, com os seus próximos e com a comunidade.
            Luz é saber entender a brevidade da vida, é saber envelhecer, é saber dialogar consigo e com os demais, é construir o seu interior, é entender o seu Deus interior aceitando ao Deus que é Luz manifestada em tudo em todos, é entender as manifestações do universo das naturezas projetadas por Deus.
            “Sem a luz do amor, criamos o ódio. Sem a luz da sabedoria, criamos a ignorância. É por isso que estamos aqui, para promover a luz interna. Para eliminar as trevas se faz necessário trazer a luz, o amor, a compaixão e a sabedoria” [1].



[1] Extraído de: O Diário de um maçom, de Valzacchi,Paulo. Posição 186-188 de eBook. 

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Avaliação de mudanças sociais, uma reflexão


 

 

Avaliação de mudanças sociais, uma reflexão

 

Genaldo Luis Sievert

 

            Aceitei o desafio, mesmo sem conhecer profundamente as teorias econômicas e as mudanças provocadas por elas, ou a história do pensamento humano, este com certeza a mola propulsora de todo os desenvolvimentos nos mais diversos campos, de discorrer um pouco sobre tão vasto, intrigante e polêmico tema. Entendo que mudança social atravessa o tempo abraçado com a história do desenvolvimento humano relacionado ao trabalho e ao valor do capital a ele atribuído. Enveredei, recentemente, leitura da obra de Adam Smith, A riqueza das Nações, e ali se nota o poder da inquirição sobre a observação dos mais diversos fatos que motivaram e motivam a transformação social, que se efetiva pela análise e discussão do gênio humano. Com certeza poderia declinar centenas de fatos históricos e comprovadamente importantes, para demonstrar a importância das mudanças sociais e a contra partida de sua avaliação. Revolucionários e revoluções seriam citadas para justificar cada uma das empreitadas, os motivos mais relevantes, as idéias mais inovadoras, os gênios pensantes, como grandes governantes e cientistas, seriam lembrados. Mas, a mudança social está em cada um de nós, do valor que temos a respeito das alterações, da capacidade de assimilação de cada um, da capacidade de divergência individual ou coletiva. Avaliar mudança social está no intimo de cada um de nós, para tanto temos que possuir a noção exata de onde estamos inseridos, advém desta premissa o fato concreto que, para tanto, temos que evoluir intelectualmente de forma que possamos ser contínuos críticos do que fazemos, vivemos, e do que sofremos ao influir ou ao sermos influenciados por outrem. Não bastassem as constantes mudanças que desconfiguram os cenários sociais e econômicos temos que lidar com nossos anseios, erros e acertos, já que somos sem dúvida, movidos pela curiosidade.  As mudanças sociais não estão contidas na comunidade em que vivemos ou observamos, elas crescem no nosso íntimo e é ai que percebemos o que podemos ou desejamos influenciar nestas possíveis alterações. O nosso engrandecimento pessoal irá definir o quanto poderemos realizar de mudanças, avaliá-las e na continuidade provocar eventuais modificações no contexto social em que nos inserimos. Por osmose ou por vontade própria os elementos humanos conseguem definir ou demolir contextos sociais. Ambos de forma positiva ou negativa são poderosas armas de avaliação e elas começam na célula familiar que ao multiplicar-se provocam os erros e acertos. Como já mencionei a capacidade de mudança está no intimo de cada um e se assim acontece é na elementar educação familiar e na posterior lapidação da convivência social em que seremos inseridos que está a virtuose da adaptação, do consenso, da aceitação, da comunicação, da sabedoria norteada pelo amor ao próximo.

            Quando iniciados, elevados ou exaltados, somos conduzidos ao estudo e aprimoramento do pensar. Não é só o fato de praticar o amor ao próximo ou de combater os males que assolam a sociedade que nos trazem até a maçonaria; na primeira pessoa do singular busco uma satisfação pessoal e espiritual que havia abandonado achando que as muitas ocupações do dia a dia não me permitiam acompanhar. Doce engano este, de fato sempre há espaço para mais fazer. A satisfação pessoal e espiritual é que nos trazem gratificação e entendimento e daí surgirá ações em prol das transformações por meio das argumentações. Sem questionamentos não haverá progresso de qualquer natureza. Durante as dezenas, centenas e milhares de sessões de maçonaria realizadas por todo o mundo o chamamento comum a todas é: fraternidade e amor ao próximo; o bem fazer prevalece nas milhares de mensagens que cruzam o planeta através da rede mundial – este fenômeno tecnológico abriu o característico modo de exprimir pensamentos, dos maçons, para o mundo. Mas será que todo este movimento em prol do bem querer é suficiente para provocar mudanças sociais? Será que aqueles que recebem as ações de bem fazer estão preparados para recebê-las? Será que a ação em prol destes não será um fator de acomodação social? Será que a velada manifestação do pensamento de maçons pelo mundo é suficiente, ou insuficiente? Mais que levantar questionamentos deverá sem dúvida prevalecer ações em prol do bem querer e de mudanças sociais e não esqueçamos que para qualquer avaliação e posterior mudança deverá prevalecer a boa vontade de cada um de nós.

 

quarta-feira, 28 de maio de 2014

A morte


A morte

 
Genaldo Luis Sievert

 

Objetivo inalcançavel. Ao longo dos séculos humanos refletem sobre esta desconhecida caminhada de transformação do material ao imaterial. Da razão à reflexão. Do inexplicável momento em que deixamos de poder traduzir o que pensamos e o que sentimos, o que gostaríamos de haver realizado, transformado, tornado feliz, segundos, horas ou dias mais intensos. Durante nossa permanência material o que mais nos intriga, sem dúvida, é o sentido da morte, sua significância, qual a necessidade de tal estado de transformação. De forma sábia somos tomados pelo dia a dia e quando menos esperamos estamos próximos do dia da partida ou de um alarme falso, porém assustador, que novamente nos conduz à reflexão e à busca do entendimento do evento que há séculos intriga os homens e que os leva a refletir, não importando o momento material de evolução pelo qual passa a sociedade em que estamos inseridos. Tenho vivenciado estes momentos, através da literatura escrita há séculos e de estudos recentes realizados nas Lojas Maçônicas que frequento e mesmo sem saber ou entender com profundidade o estado máximo a que desejamos chegar material e espiritualmente continuo firme em meus propósitos de entendimento do momento máximo da vida humana – o da transformação. Acredito, por reflexões realizadas, que nos será permito individualmente o entendimento de acordo com a capacidade individual de cada um de nós, da prática da virtude, do amor e ajuda ao próximo, da constante busca da lapidação do eu interior, pois, seremos sem dúvida, eternos iniciados, não importando o quão sábios nos imaginamos.

Ao realizar alguns estudos sobre o tema deparei-me com literaturas interessantes e que passso a citar:

            “Eis aí, pois, aquilo contra o que devemos nos previnir; não permitamos que encontre abrigo em nossa alma essa idéia de que nos raciocínios nada há que seja sadio; mas aceitemos antes a idéia de que é a nossa própria maneira de ser que ainda não é sadia; que somos antes nós que devemos, como homens, esforçar-nos, com toda a nossa vontade, por comportar-nos de maneira sadia: tu, como os outros, tendo em vista a vida, toda a vida que se seguirá; eu tendo em vista somente a morte, eu, que corro o risco, no momento em que somente dela se trata, de comportar-me, não como homem que aspira à sabedoria, mas como aquele a quem falta inteiramente educação filosófica e como quem quer ter razão a todo custo. Repara nessas pessoas quando estão para discutir qualquer problema: não cuidam do verdadeiro sentido daquilo sobre o que falamos, mas somente de que os circunstantes adotem as suas teses pessoais. E penso que, entre mim e elas, essa será a única diferença, no caso presente... Se, ao contrário, nada houver depois da morte, então, pelo menos durante o tempo que precede tal desenlace, eu não terei importunado com as minhas lamentações os que estão perto de mim”. (trecho extraído de Fédon, Diálogo sobre a Alma e Morte de Sócrates, Platão (Aristocles) 427 a.C. 348/347, I Parte, página 66, editora Martin Claret 2007- Sócrates discorre sobre o assunto a Símias e Cebes).

Vou continuar extraindo de Fédon mais reflexões dos diálogos ali desenvolvidos por Platão.

            “Dize-me, continuou Sócrates, não achas ser esta uma prova bastante? Um homem que vemos lamentar-se no momento de morrer mostra que não é a sabedoria que ele ama, mas o corpo, não é?”. ( A Virtude Verdadeira, Fédon idem página 32).

Despojado que fui de meus pertences, limitei-me a aceitar com resignação e confiar em meu Guia e assim tem sido a minha caminhada nas iniciações maçônicas e na vida profana; não é a vida de um constante ganhar e perder, seja bens materiais ou conhecimento?

            “É possível, dizem eles, que a alma, uma vez separada do corpo, não exista mais em nenhum lugar; talvez, no mesmo dia em que o homem morra, ela se destrua e morra: desde o instante dessa separação, talvez ela saia do corpo para dissipar-se como um sopro, ou como fumo, e assim, esvaindo-se e desfazendo-se, nada mais seja, em nenhum lugar”. (O Problema da Imortalidade, Fédon idem página 35).

Tudo será em algum lugar, em algum momento; no tempo certo a cada um de nós aparecerá o conforto da luz Divina e da esperança no eterno ciclo universal do aperfeiçoamento da vida; vivenciaremos momentos diferentes e sempre, cada um deles será motivo de reflexão, emoção, recordação e da sensação de já haver vivido aquele momento grandioso, feliz ou não.

            “Há, entretanto, conitnuou Sócrtaes, pelo menos uma coisa sobre a qual vós deveis refletir: se a alma é verdadeiramente imortal, ela precisa do nosso cuidado , não somente durante o tempo que dura o que chamamos vida, mas durante a totalidade do tempo. E, depois do que se disse, não cuidar dela, segundo parece, seria grave perigo. Certamente, se a morte fosse uma libertação de todas as coisas, que fortuna não seria para os maus, os quais, morrendo, ao mesmo tempo em que se sentiriam livres do corpo, sê-lo-iam também, com a alma, da sua própria maldade! Mas, na realidade, agora que a alma se revelou imortal,não há nenhuma saída para seus males, nenhuma outra salvação, senão a de se tornar a melhor possível e a mais sábia. Portanto, a alma nada mais leva consigo, ao chegar ao Hades, do que a sua formação moral e seu modo de vida, que é justamente, segundo a tradição, o que mais beneficia ou prejudica a quem morre, desde o começo de sua viagem para o além”. (O problema da sobrevivência das almas, Fédon Parte II idem página 93).

Além das citações já efetuadas, gostaria de enriquecer este trabalho com mais algumas que comprovam a preocupação dos humanos com a morte ao longo dos séculos:

            “Tudo o que somos é o resultado do que pensamos”. Buda, Regra de Ouro (extraido de As Origens Históricas da Mística Maçônica, José Castellani, Editora Landmark, 2005, p. 110).

            INICIAÇÃO

            “Não dormes sob os ciprestes

            Pois não há sono no mundo.

            ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

            O corpo é a sombra das vestes

            Que encobrem teu ser profundo.

            Vem a noite, que é a morte,

            E a sombra acabou sem ser,

Vais na noite só recorte,

Igual a ti sem querer.

Mas na Estalagem do Assombro

Tiram-te os Anjos a capa.

Segues sem capa no ombro,

Com o pouco que te tapa.

Então Arcanjos da Estrada

Despem-te e deixam-te nu.

Não tens vestes, não tens nada:

Tens só teu corpo, que és tu.

Por fim, na funda caverna,

Os Deuses despem-te mais.

Teu corpo cessa, alma externa,

Mas vês que são teus iguais.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

A sombra das tuas vestes

Ficou entre nós na Sorte.

Não ‘stas morto, entre ciprestes.

... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

Neófito, não há morte”.

(extraído de Cancioneiro / Fernando Pessoa, L&PM,2008, p. 126)

Bibliografia:

PLATÃO, Fédon, Diálogo Sobre a Alma e Morte de Sócrates, impresso no inverno de 2007, Editora Martin Claret Ltda, 151 páginas, São Paulo 2007.

PESSOA, Fernando, Cancioneiro, impresso no outono de 2008, L&PM Editores, 183 páginas, Porto Alegre 2008.

CASTELLANI, José, As Origens Históricas da Mística Maçônica, impresso em 2005, Editora Landmark, 158 páginas, São Paulo.

sexta-feira, 27 de dezembro de 2013


O PROCESSO INICIAL PARA ANÁLISE DE CONTEÚDO
DE UM GRUPO FOCAL EM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM

SIEVERT, Genaldo Luis[1] SIEVERT, G. L. - PUCPR.

Grupo de trabalho: Didática: Teorias, Metodologias e Práticas.
Agência financiadora: não contou com financiamento.

Resumo

Este documento é um relato de uma experiência vivenciada durante a participação na disciplina Seminário de Pesquisa II: Análise de Dados Qualitativos com Recursos Tecnológicos, no primeiro semestre de 2013, na PUCPR; tem por objetivo demonstrar a real possibilidade de utilização de um software como instrumento para análise de conteúdo de um Grupo Focal que está inserido em um Ambiente Virtual de Aprendizagem – AVA. O Corpus analisado é um Fórum de um curso de formação continuada, para profissionais que atuam com alunos em tratamento de saúde. São dados empíricos obtidos a partir da extração dos conteúdos disponíveis no AVA. Neste documento serão apresentadas as etapas iniciais necessárias ao preparo do conteúdo a ser analisado, bem como a elaboração de uma metodologia específica para o caso em questão. Serão descritas passo a passo as etapas necessárias, iniciais, para a formação de um conjunto de códigos, categorizações e famílias, elementos necessários para projetar as condições apropriadas à fase posterior: a análise dos conteúdos encadeados com o suporte do software. O presente texto é um recorte de uma dissertação em desenvolvimento e que encontra no software Atlas.ti apoio técnico e organizacional que proporcionam ao pesquisador condições especiais para ampliar a visão da análise. O resultado oriundo desta organização inicial é a posterior facilidade para a elaboração de elementos codificadores e categorizadores no software Atlas.ti. A pesquisa é exploratória e qualitativa. O apoio teórico recaiu nos seguintes autores: Strausse Corbin (2008), Stake (2011), Gray (2012), Flick (2009), Lankshear e Knobel (2008), Gibbs (2009) e Bardin (2011), por ordem de citação.

Palavras-chave: Análise de conteúdo. Software. Grupo focal. Atlas.ti, AVA.
 Introdução
 Encontramo-nos em um tempo em que a busca por elementos facilitadores para o dia a dia é uma constante.
Percebemo-nos frequentemente em busca da rapidez na comunicação com familiares, amigos e colegas de trabalho, bem como, quando na condição de uma ação no âmbito profissional nas relações na empresa nas suas mais diversas extensões. Não é diferente quando estamos frente a frente com uma condição de estudo, seja relacionada a uma pesquisa ou a uma simples condição de preparação para a realização de uma avaliação.
A Sociedade exige de todos nós uma nova postura, atitude ou posicionamento quanto à utilização de novas tecnologias, como por exemplo, quanto ao uso de equipamentos ou softwares. Na vida acadêmica não é diferente quando nos deparamos em uma condição em que realizar ou desenvolver uma pesquisa para graduação ou Stricto Sensu, se torna um grande desafio, e é neste momento que é oportuno compreender a importância de adquirir novas habilidades, aqui neste contexto compreendida como as condições necessárias para utilizar e aplicar as facilidades que um software pode e deve proporcionar.
Mas cabe um alerta: um software por si só não é suficiente para desenvolvimento de qualquer trabalho de pesquisa. Antes de qualquer coisa é preciso compreender que a atitude do pesquisador é fundamental para que a pesquisa venha a fluir, sabendo-se que poderá encontrar-se como um rio, em alguns momentos com águas fluindo calmamente e em harmonia com o ambiente ao seu redor e em outros, agitado e conturbado. Assim elementos que o pesquisador não venha a considerar poderão estar contrariando os objetivos iniciais, e interferindo no desenvolvimento do trabalho a ser executado.
Nada mais nada menos do que tomar uma atitude é o que está à nossa frente em todos os momentos dos nossos dias. Não é diferente na condição de pesquisador, um posicionamento, uma crítica, uma aceitação, uma contradição, uma explicação, estas serão as nossas companhias na construção de uma análise ou no desenvolvimento de uma teoria.
 Desenvolvimento
Temos uma consideração inicial importante a destacar: o que é a pesquisa qualitativa, e encontramos amparo em Strauss e Corbin (2008, p. 24) com o seguinte conteúdo para apoiar a nossa arguição:
Com o termo “pesquisa qualitativa” queremos dizer qualquer tipo de pesquisa que produza resultados não alcançados através de procedimentos estatísticos ou de outros meios de quantificação. Pode se referir à pesquisa sobre a vida das pessoas, experiências vividas, comportamentos, emoções e sentimentos, e também à pesquisa sobre funcionamento organizacional, movimentos sociais, fenômenos culturais e interação entre nações. Alguns dados podem ser quantificados, como no caso do censo ou de informações históricas sobre pessoas ou objetos estudados, mas o grosso da análise é interpretativa. [...] Ao falar sobre analise qualitativa, referimo-nos não à quantificação de dados qualitativos, mas, sim, ao processo não matemático de interpretação, feito com o objetivo de descobrir conceitos e relações em um esquema explanatório teórico.
Eis, então, uma nota inicial que nos posiciona quanto a importância deste tipo de pesquisa, da relevância para o desenvolvimento de conteúdos resultantes de uma análise em qualquer campo da pesquisa acadêmica.
Neste sentido Stake (2011, p. 46) contribui com a seguinte argumentação: “A pesquisa qualitativa é algumas vezes, definida como pesquisa interpretativa. Todas as pesquisas exigem interpretações e, na realidade, o comportamento humano exige interpretações a cada minuto”.
Assim entendemos que para desenvolver a pesquisa temos que elaborar um método para dar sustentação quanto ao aspecto como orientar-se na organização da coleta de dados.
Desta forma elaboramos um roteiro que nos apoiará enquanto fazemos a extração dos dados de um dos Fóruns.
Objetivando alcançar o sucesso na intervenção nas salas virtuais de aprendizagem, cujo objetivo é a análise dos aspectos mediáticos, interacionais e contributivos, uma metodologia de trabalho específica para o caso em questão, foi elaborada.
Para sustentar o que apresentamos a seguir, como os passos que orientaram o nosso trabalho, buscamos em Strauss e Corbin, (2008, p. 17), que metodologia, métodos e codificação, são respectivamente: [...] “uma forma de pensar sobre a realidade social e de estudá-la. [...] um conjunto de procedimentos e técnicas para coletar e analisar dados. [...] os processos analíticos por meio dos quais os dados são divididos, conceitualizados e integrados para formar a teoria”.
Entenda-se que o contexto do campo de análise é um AVA e para iniciar um procedimento específico elaboramos uma sequencia para nos auxiliar em todas as etapas, inclusive, envolvendo os procedimentos necessários para a utilização do software Atlas.ti, que, é utilizado para uma etapa seguinte da exploração em estudo.
Este material foi extraído com expansão de todos os diálogos realizados nos fóruns sob análise, da seguinte maneira:
a) acesso ao espaço online;
b) acesso a sala virtual;
c) acesso ao Menu – Fórum;
d) expansão de todas as caixas de diálogo;
e) seleção individual de cada participante seguida da seleção do conteúdo produzido;
f) copiar e transferir para um arquivo no Word o material selecionado;
g) quando o conteúdo for extenso a caixa de resposta do Fórum, é aberta para possibilitar a seleção e cópia do conteúdo;
 h) o tempo de duração da extração deve ser marcado, em horas para cada um dos fóruns;
 i) no Word, os conteúdos devem ser codificados, conforme sugerido a seguir, sendo utilizadas as letras A, B, C, D e E, identificando cada sala virtual; para identificar os alunos virtuais, as letras podem ser acrescidas de um número a partir do número 1, em ordem crescente conforme o acesso de um novo aluno/professor nos diálogos textuais iniciais com os números inseridos entre parênteses, A(1), B(3), C(5), D(8) E(31)... E(41);
j) Para os professores/tutores foi utilizada a letra P, seguida de um número a partir do número 1, em ordem crescente por ordem de aparição durante o desenvolvimento dos diálogos textuais com os números inseridos entre parentes, P(1), P(2)... P(10);
k) após a transferência para o Word, é importante efetuar uma leitura total de todos os conteúdos; este procedimento deve ser repetido para tentar evitar retrabalho;
l) após esta leitura deve ser realizada uma formatação para melhorar a estética dos textos extraídos, mantendo-se os conteúdos intactos;
m) após esta providencia inicia-se o processo de codificação dos alunos virtuais;
n) feita a codificação elabora-se uma planilha para onde os nomes completos dos alunos virtuais são transferidos juntamente com a codificação;
o) durante o processo de extração dos conteúdos há a ocorrência de participação, por vezes, de um mesmo aluno virtual e isto ocasiona, em poucas situações, a codificação de um mesmo participante com códigos diferentes;
p) quando isto ocorre é mantida a primeira codificação e a posterior não é redirecionada a nenhum outro participante, prosseguindo-se com a sequencia estipulada; a detecção desta eventual falha foi possível ao utilizarmos para conferência dos códigos, o recurso de localização do Word 2010 que apresenta uma caixa lateral onde é possível localizar o que foi digitado Assim quando um nome é digitado traz consigo o código a ele destinado, indicando, inclusive, as páginas em que estava inserida a referência a ele destinada;
q) após a codificação todos os nomes dos alunos/professores virtuais são excluídos, bem como os dos professores/tutores;
r) após esta providencia uma nova leitura é executada com o objetivo de identificar: apresentação dos alunos virtuais, relato de uma experiência, citação de utilização de TIC em suas atividades, desenvolvimento de diálogos entre alunos/professores e professores/tutores/alunos, entre outras características próprias de um fórum;
s) os autores consultados para apoiar e fundamentar o problema de pesquisa, metodologia e teoria ao longo do desenvolvimento da dissertação, deve constar, sem exceções da lista de referencia;
t) após a citação dos diálogos dos participantes dos fóruns é efetuada uma verificação dos conteúdos transferidos para o corpo de um capítulo, por exemplo, utilizando-se para isto a ferramenta do Word, já citada anteriormente, Figura 1;
  
Figura 1. Verificando o número de vezes em que o participante aparece.