sábado, 29 de setembro de 2012


AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NA PEDAGOGIA HOSPITALAR


Genaldo Luis Sievert[1] SIEVERT, G.L.

Jacques de Lima Ferreira²


Resumo

O presente artigo discute sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no processo de aprendizagem do escolar hospitalizado e marca o rumo da investigação no desenvolvimento dessa pesquisa que tem o objetivo de investigar e analisar quais as TICs que são utilizadas pelos professores no processo de ensino-aprendizagem junto aos escolares hospitalizados e qual a sua contribuição à prática pedagógica. A investigação desse artigo apresenta uma pesquisa qualitativa de modalidade estudo de caso e utiliza um questionário semiestruturado que foi aplicado para a obtenção e análise dos dados com a participação de cinco professores que atuam na Pedagogia Hospitalar com alunos/pacientes do ensino médio de um hospital público de Curitiba. Diante do questionário respondido pelos professores foi possível verificar que a TIC mais utilizada pelos professor na Pedagogia Hospitalar é o material impresso e que as TICs contribuem significativamente a prática pedagógica quando ocorre disponibilidade de tecnologias, conhecimento e acessibilidade de informações no ciberespaço, interações entre o contexto social e escolar permitindo que o aluno/paciente mantenha contato com a sua escola de base, seus familiares e amigos. Contribui também para que à aprendizagem se torne autônoma, intrínseca e colaborativa na relação professor-aluno no ambiente hospitalar, clarifica e exemplifica os conteúdos estudados e facilita o processo de aprendizagem do aluno/paciente em isolamento hospitalar. É essencial que a cultura digital seja estimulada na Pedagogia Hospitalar para que o docente utilize de todas as potencialidades das TICs a favor de um processo de ensino-aprendizagem dinâmico, inovador e flexível.


Palavras-chave: Tecnologias da Informação e Comunicação; ensino-aprendizagem; Pedagogia Hospitalar.


Introdução


            O presente artigo discute sobre as Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) no processo de aprendizagem do escolar hospitalizado e marca o rumo da investigação no desenvolvimento dessa pesquisa que tem o objetivo de investigar e analisar quais as TICs que são utilizadas pelos professores no processo de ensino-aprendizagem junto aos escolares hospitalizados e qual a sua contribuição à prática pedagógica.

            A investigação deste artigo apresenta uma pesquisa qualitativa de modalidade estudo de caso e utiliza um questionário semiestruturado que foi aplicado para a obtenção e análise dos dados com a participação de cinco professores que atuam na Pedagogia Hospitalar com alunos/pacientes do ensino médio de um hospital público de Curitiba. Diante da participação dos professores dessa pesquisa, alertamos ao fato de que a Pedagogia Hospitalar não acontece em todos os hospitais públicos e particulares, com isso, a amostra dessa pesquisa apresenta um número pequeno de professores que atuam nesta modalidade de educação não formal.

            As tecnologias chegaram ao ambiente hospitalar muito antes da introdução das atividades da Pedagogia Hospitalar. O avanço da ciência proporcionou aos pacientes inúmeras possibilidades de cura, mesmo assim, ainda é presente o número de crianças e adolescentes que continuam hospitalizados por longos períodos sem acesso ao atendimento pedagógico no ambiente hospitalar.

                As TICs passam por evoluções, transformações e inovações que facilitam a vida na sociedade contemporânea, assim como na escola e no hospital. Esses recursos possibilitam que o processo de ensino e aprendizagem se torne inovador, dinâmico e flexível contribuindo assim para a prática pedagógica que acontece no hospital, um ambiente complexo que necessita de cuidados e atenção. Portanto, é necessário que os professores estejam se atualizando para que realmente possam colaborar ao processo de aprendizagem do aluno/paciente utilizando as TICs como recurso que auxilia a escolarização hospitalar.


As TICs no processo de ensino-aprendizagem na educação não formal


A tecnologia é um conjunto de conhecimentos que permite nossa intervenção no mundo, essa mediação possibilita que o professor atue em diferentes níveis e contextos com o objetivo de ensinar além do espaço físico de uma sala de aula. As TICs são tecnologias que possibilitam a veiculação da informação e da comunicação com flexibilidade, rapidez e dinamismo (SANCHO, 2001).

As interações das pessoas com as tecnologias possibilitaram diversas transformações no mundo e na vida das pessoas. As TICs facilitam a comunicação e o acesso ao fluxo de informações que acontecem diariamente na sociedade contemporânea. Entretanto, é relevante que o professor saiba processar e escolher as informações diante dos riscos e das consequências frente à quantidade de informações que estão disponíveis atualmente.

Pons (2001, p. 52) comenta que:

[...] com os anos 80 chegam, sob a denominação de “novas tecnologias da informação e da comunicação”, novas opções apoiadas no desenvolvimento de máquinas e dispositivos projetados para armazenar, processar e transmitir, de modo flexível, grandes quantidades de informação.


 Segundo Delors (1998) os professores precisam estar em um processo de formação (long life learning), na perspectiva de educação permanente em que a formação do professor precisa acompanhar o acelerado desenvolvimento científico e tecnológico para que possa realmente contribuir ao processo de ensino-aprendizagem. As TICs impõem desafios aos professores que atuam na educação formal e não formal.

As constantes inovações que acontecem nas TICs possibilitam a criação de materiais audiovisuais ou de materiais relacionados à informática cada vez mais modernos e integrados a sociedade atual. Essas inovações constantes estão muitas vezes presentes no ambiente hospitalar ajudando os profissionais que lá estão a realizar ações em prol da saúde. Nos hospitais em que a Pedagogia Hospitalar já é uma realidade quais as contribuições que as TICs podem auxiliar no processo de ensino-aprendizagem? Todas as TICs presentes hoje na sociedade e no hospital podem contribuir a Pedagogia Hospitalar?

Discutir e refletir a respeito das indagações acima e sobre a utilização das TICs na Pedagogia Hospitalar requer a compreensão de que essa educação não formal não é uma realidade que acontece em todo o Brasil, as escolas brasileiras apresentam uma diversidade cultural e social muito grande, isso se torna um desafio ao professor que atua na Pedagogia Hospitalar e que utiliza as TICs no processo de ensino-aprendizagem.

O professor precisa compreender esse referencial cultural e social e perceber que para que ocorra o processo de ensino-aprendizagem utilizando as TICs é necessário conhecimento sobre as tecnologias, suporte técnico, estrutura física adequada e acessibilidade.

Várias pesquisas já vêm sendo desenvolvidas por pesquisadores da Pedagogia Hospitalar como Mattos e Mugiatti (2009), Matos (2010) e Matos e Torres (2011) que identificam claramente as potencialidades das TICs como um recurso a favor da aprendizagem no ambiente hospitalar.

Diariamente utilizamos as tecnologias e suas mídias para gerar oportunidades diversas no processo de ensino-aprendizagem e nas tantas outras possíveis aplicações, como é o caso da Educação à distância (EAD) que acontece somente se o aluno tiver um suporte tecnológico para que ocorra a mediação. O Censo ead.br (2010, p. 74) apresenta as TICs mais utilizadas pelos professores, tutores ou mediadores no ensino superior são: material impresso, e-learning, vídeo, CD, DVD, videoconferência, televisão, telefone celular, satélite, teleconferência e rádio.

 O material impresso como TIC continua à frente na preferência das instituições que oferecem cursos à distância. O rádio e a televisão, veículos tradicionais de transmissão de comunicação, possuem a vantagem de atingir locais onde o acesso à internet ainda é restrito.

Segundo Mattar (2011, p. 15): “O e-mail continua a ser uma ferramenta simples, mais muitos poderosa”.  Profissionais dos mais diversos segmentos e professores o adotam visto a facilidade e agilidade proporcionadas pelos diversos provedores de e-mails que disponibilizam espaço para armazenar e trocar informações.

Esta mídia é uma boa alternativa para a comunicação entre professores e alunos, podendo ser útil na mediação com os familiares do aluno. Vence distancias, é documental evitando custos adicionais de comunicação, como por exemplo, um telefonema. Logicamente, que essa mídia ou qualquer tipo de TIC que favorece o processo de ensino-apredizagem precisa de suporte e de conhecimento prévio para que se estabeleça uma troca de informação ou uma mediação pedagógica.

      Os vídeos são uma excelente alternativa que os professores podem utilizar para auxiliar ou complementar o processo de ensino-aprendizagem. O YouTube Edu, versão educacional do YouTube é uma mídia que agrega diversas instituições de ensino que ali depositam seus conteúdos com o objetivo de compartilhar e trocar conhecimento.

Mattar, (2010, p. 15) destaca: “Além do YouTube, podem ser mencionados outros serviços para vídeos educacionais na web, como: iTunesU (Apple), Academic Earth, Edutopia e TeacherTube”.

As redes sociais como o Facebook e o Orkut além de bloggs e micobloggs também são uma excelente alternativa para a mediação pedagógica do aluno/paciente.

 Encontramos no ciberespaço milhares de blogs utilizados para divulgar e trocar informações ou conhecimento. Esta mídia pode ser utilizada como um meio de comunicação entre o professor e o aluno. Cabe ao docente analisar o caráter didático-pedagógico do blog para que seja possível sua utilização como recurso a favor da aprendizagem.

As TICs possibilitam a comunicação síncrona e assíncrona utilizadas em fóruns, chats, e-mails, postagem de recados ou troca instantânea de informação. Além destas facilidades é pessoal e proporciona a aglutinação de grupos de interesse. As novas formas de comunicação e interação poderão ser um fator agregador entre professor e aluno/paciente no processo de aprendizagem.  

As Mídias instantâneas como o Skype e o MSN são relevantes e podem ser utilizadas de forma dinâmica e instrucional gratuitamente. Estas mídias possibilitam que a comunicação seja dinâmica, armazenando as chamadas não atendidas e outras informações como é possível acontecer em secretárias eletrônicas de alguns equipamentos.

Os livros eletrônicos se tornaram uma realidade agradável àqueles que já estão habituados com a possibilidade de leitura em tabletes ou em iPhones e muitos são gratuitos o que os torna mais atrativos e podem servir como ferramenta para estimular a leitura e o aprendizado do aluno hospitalizado.

Uma mídia interessante e dinâmica que merece destaque é a utilização de programas de reconhecimento de voz para auxiliar o aluno/paciente hospitalizado em condições especiais ou não na leitura de textos variados. Programas como Svox e o Dragon Naturally Speaking são práticos e de fácil aplicação em casos como, por exemplo, de um aluno/paciente com deficiência visual. O professor poderá digitar o conteúdo a ser assimilado em um programa compatível com as mídias citadas e após o término o texto será “lido” por uma voz sintetizada. Cabe ressaltar que alguns ajustes serão necessários para que o sincronismo necessário aconteça. Este aplicativo é utilizado em tabletes.

A aplicação das diversas mídias por meio das tecnologias disponíveis somente será bem sucedida se for observado: “a escolha e o balanço correto no uso dessas diversas ferramentas, em função do público alvo, do desenho pedagógico do curso, das atividades propostas e de outras variáveis, que tendem a determinar o sucesso ou o fracasso [...]” (MATTAR, 2010, p. 23).


O professor que atua na Pedagogia Hospitalar com as TICs


As TICs como recursos a favor da aprendizagem contribuem para a prática pedagógica do professor que atua na Pedagogia Hospitalar. Behrens (2011, p. 27), destaca que: “Este cuidado no atendimento diferenciado demanda preparação do (a) professor (a) que, em geral, envolve um profissional amoroso e humanitário, além de competente para realizar este trabalho educativo”. A autora também salienta que os entraves são muito maiores do que a realidade tem demonstrado, pois os processos de inclusão em geral, começam aparecer com mais ênfase no início do século XXI.

             O aluno hospitalar necessita de cuidados especiais pertinentes à sua condição de saúde e deverá ter em seu benefício o seguinte:


A definição e implementação de procedimentos de coordenação, avaliação e controle educacional devem concorrer na perspectiva do aprimoramento da qualidade do processo pedagógico. Compete às Secretarias Estaduais e Municipais de Educação, e do Distrito Federal, o acompanhamento das classes hospitalares e do atendimento pedagógico domiciliar. O acompanhamento deve considerar o cumprimento da legislação educacional, a execução da proposta pedagógica, o processo da melhoria da qualidade dos serviços prestados, as ações previstas na proposta pedagógica, a qualidade dos espaços físicos, instalações, os equipamentos e a adequação às suas finalidades, a articulação da educação com a família e a comunidade (BRASIL, 2002, p.19).


Neste contexto é considerada a aplicação de novas tecnologias e as mídias possíveis e cabíveis a cada aluno hospitalizado, respeitadas as particularidades de cada caso. O professor para atuar no ambiente hospitalar deverá (BRASIL, 2002, p.22):


 - Estar capacitado para trabalhar com a diversidade humana e diferentes vivências culturais, identificando as necessidades educacionais especiais dos educandos impedidos de frequentar a escola, definindo e implantando estratégias de flexibilização e adaptação curriculares;

- Ser capaz de fazer parte da equipe de assistência ao educando;

- Ter formação pedagógica preferencialmente em Educação especial ou em cursos de Pedagogia ou licenciaturas.


A Pedagogia Hospitalar surge como pilar possível de equilibrar estas ações de caráter pedagógico-humanitário acrescido das múltiplas funções de utilização com as novas tecnologias. Matos (2009, p. 141) destaca:


A inclusão digital no contexto hospitalar propicia, assim, o ensejo a novos olhares e ações, criando com isso espaços para troca, interação, informação e acréscimo a novos saberes por meio do computador, softwares e Internet. Promove, em decorrência, um ambiente de maior integração do enfermo com seus familiares e com os funcionários do hospital. É um novo tempo, um novo olhar e um novo agir que também possibilita a integração com as demais ações relacionadas ao processo de cura e reabilitação.


O professor deverá ser capaz de fazer com que os alunos hospitalizados entendam a importância que desempenham na realização desta prática educativa com a utilização das TICs, destacando as facilidades que poderão obter em aspectos como a comunicação.

            O professor que atua na Pedagogia Hospitalar deverá estar atento à utilização das TICs no processo de ensino e de aprendizagem do aluno/paciente seguindo as seguintes características:

- Utilizar apenas tecnologia que sirva aos objetivos da aprendizagem;

- Manter a tecnologia em um nível simples, a fim de que seja transparente para o aluno;

- Certificar-se de que os alunos têm habilidades necessárias para usar a tecnologia;

- Limitar o uso de áudio e vídeo se for usá-los;

- Utilização de ferramenta de comunicação síncrona/assíncrona quando estiver certeza da habilidade dos alunos para tal;

- Acompanhar os alunos que não participam das atividades ou cujo nível de participação sofre variação;

- Apoiar o desenvolvimento de boas habilidades com o uso das TIC;

- Orientar para que as atividades com utilização de mídias sejam enviadas através destas;

- Estimular os alunos a perguntar e discutir as mais variadas situações;

- Variar as atividades visto que estes alunos permanecem durante todo o tempo no mesmo ambiente;

- Realizar perguntas abertas que estimulem a reflexão e discussão;

- Inclua o acesso às redes sociais, quando for o caso, como um estímulo a ampla participação deste aluno junto à comunidade.

Diante deste contexto podemos entender a importância da utilização das TICs por meio das tecnologias disponíveis visto que os nativos digitais já estão integrados a este novo cenário como salienta Harasim (2005, p. 221):


A comunicação mediada por computador oferece aos educadores oportunidades e desafios únicos. Professores e instrutores com anos de experiência em sala de aula relatam que as redes de computador estimulam a interação de alta qualidade – o coração da educação. Elas permitem o contato próximo entre os alunos e entre estes e os professores, independentemente de sua aparência, do local onde estão ou de sua assertividade.


            No processo de ensino-aprendizagem o docente pode utilizar as TICs para ensinar os alunos que se encontram em isolamento hospitalar, que apresentam dificuldades de aprendizagem decorrente de alguma doença, possibilita que o processo de ensino-aprendizagem seja à distância, flexibiliza o horário para estudos, motiva o aluno a estudar quando se encontra fazendo tratamento de saúde prolongado, facilita a troca de informações do aluno/paciente com o seu contexto social e escolar e estimula a aprendizagem intrínseca.


Metodologia


            A investigação desse artigo apresenta uma pesquisa qualitativa de modalidade estudo de caso e utiliza um questionário semiestruturado que foi aplicado para a obtenção e análise dos dados com a participação de cinco professores que atuam na Pedagogia Hospitalar com alunos/pacientes do ensino médio de um hospital público de Curitiba.

            Diante do contexto de pesquisa, Yin (2010, p. 24) afirma que:


Um método do estudo de caso permite que os investigadores retenham as características holísticas e significativas dos eventos da vida real – como os ciclos individuais da vida, o comportamento dos pequenos grupos, os processos organizacionais e administrativos, a mudança de vizinhança, desempenho escolar, as relações internacionais e a maturação das indústrias.


Análise dos relatos dos professores em relação às TICs na Pedagogia Hospitalar


            Diante do questionário respondido pelos professores participantes da pesquisa foi possível identificar e analisar quais as TICs que são utilizadas pelos professores no processo de ensino-aprendizagem junto aos escolares hospitalizados e qual a sua contribuição à prática pedagógica. Pela análise do questionário foi possível perceber que:

- A idade média dos professores é de trinta a quarenta anos, com experiência profissional na Pedagogia Hospitalar variando entre um a cinco anos. Sendo quatro professoras e um professor.

- Três professores possuem licenciatura plena e especialização em outras áreas do conhecimento, os outros dois professores só possuem licenciatura. Nenhum professor possui especialização em Pedagogia Hospitalar ou Educação Especial ou outra área do conhecimento que atenda essa forma de educação não formal.

Os professores foram questionados em relação à utilização das TICs no processo de ensino-aprendizagem e de acordo com o questionário os docentes responderam que utilizam como recurso em maior quantidade o material impresso, depois a TV com DVD e o rádio. Foi unânime a utilização do material impresso como recurso no processo de ensino-aprendizagem e todos os professores responderam que esse tipo de TIC facilita a prática pedagógica, não tem um custo elevado e o docente não precisa se atualizar para utilizar esse recurso.

 Nenhum professor respondeu que utiliza o computador na sua prática pedagógica, muito menos a utilização de mídias. Alguns professores responderam que não integram o computador na Pedagogia Hospitalar por ser um recurso tecnológico caro e alguns desconhecem algumas mídias que são muito utilizadas na Educação como é o caso do You Tube.

Os professores ao serem questionados sobre a contribuição das TICs à prática pedagógica responderam:

Professor 1: As TICs contribuem a minha prática pedagógica, percebo que quando utilizo os alunos gostam e ficam motivados, principalmente quanto utilizo o rádio. As TICs complementam a minha aula e utilizo quando percebo que os alunos não chegam ao objetivo proposto.

Professor 2: Gosto muito de utilizar as TICs na minha prática como professora, algumas dessas tecnologias eu nunca utilizei na Pedagogia Hospitalar por não ter esse recurso.

Professor 3: No Hospital que atuo não consigo trabalhar a distância com o meu aluno que se encontra em isolamento hospitalar porque não temos notebooks à disposição dos alunos. Gostaria muito de utilizar as TICs nas minhas aulas, mas estando dentro de um hospital público percebo também que muitos recursos tecnológicos estão faltando para os profissionais da saúde.

Professor 4: Sim, as TICs contribuem a minha prática pedagógica. Gosto muito de utilizar na minha aula o DVD, mas percebo que muitos não ficam motivados. Vou mudar a minha metodologia e preciso me atualizar em relação às mídias utilizadas na educação.

Professor 5: As TICs como recursos no processo de aprendizagem motivam o aluno e facilitam a aprendizagem quando a tecnologia é um recurso que o aluno domina. Alguns alunos já me solicitaram TICs que a instituição não tem. Gostaria de utilizar mais tecnologias a favor da aprendizagem, mas tem o limitante de ter o recurso tecnológico, de ter acesso e saber utilizar adequadamente.


Considerações finais


O objetivo deste estudo foi investigar e analisar quais as TICs que são utilizadas pelos professores no processo de ensino-aprendizagem junto aos escolares hospitalizados e qual a sua contribuição à prática pedagógica.

Diante da análise dos questionários foi possível verificar que a TIC mais utilizada pelos professores é o material impresso. Foi unânime a utilização desse recurso no processo de ensino-aprendizagem e todos os professores responderam que esse tipo de TIC facilita a prática pedagógica, não tem um custo elevado e o docente não precisa se atualizar para utilizar esse recurso.

As TICs contribuem a prática pedagógica quando ocorre disponibilidade de tecnologias, conhecimento e acessibilidade de informações no ciberespaço, interações entre o contexto social e escolar permitindo que o aluno/paciente mantenha contato com a sua escola de base, seus familiares e amigos. Contribui também para que à aprendizagem se torne autônoma, intrínseca e colaborativa na relação professor-aluno no ambiente hospitalar, clarifica e exemplifica os conteúdos estudados e facilita o processo de aprendizagem do aluno/paciente em isolamento hospitalar.

Nenhum professor respondeu que utiliza o computador na sua prática pedagógica, muito menos a utilização de mídias. Sabemos que o Ministério da Educação (MEC) investe em tecnologias educacionais no Brasil, mas sabemos também que esse recurso não chega a todas as escolas. As TICs também não estão presentes em todos os hospitais do Brasil e como a grande maioria dos hospitais que realiza a Pedagogia Hospitalar é de hospitais públicos os recursos muitas vezes são limitados. Por mais que exista uma parceria entre secretaria da educação e secretaria da saúde.

A partir dos relatos dos professores percebemos que todos utilizam as TICs na sua prática educativa, porém diante do avanço tecnológico que acontece na sociedade contemporânea é fundamental que o docente inove diante da sua prática pedagógico com o uso de recursos tecnológicos que realmente facilitem o processo de ensino-aprendizagem do escolar hospitalizado.

             Ao analisar os questionários percebe-se que os professores não apresentam conhecimento específico em algumas mídias que são muito utilizadas na educação. As TICs seriam muito úteis no processo de ensino e de aprendizagem, pois o professor poderia adaptar o recurso tecnológico dependendo da condição de saúde que o aluno/paciente apresenta.

Portanto, é necessário que o professor domine os recursos tecnológicos disponíveis que a Pedagogia Hospitalar apresenta em sua realidade e que as limitações apresentadas possam se tornar motivações para que o docente inove diante de sua prática pedagógica.


Referências


BEHRENS, Marilda Aparecida. Conexão Paradigmática da Saúde e Educação: desafio do reencontro possível. In: Elizete Lúcia Moreira Matos, Patrícia Lupion Torres. (Org.) Teoria e Prática na Pedagogia Hospitalar: novos cenários, novos desafios. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Champagnat, 2011, p. 23-44.


BRASIL. Ministério da Educação. Classe hospitalar e Atendimento Pedagógico Domiciliar: estratégias e orientações. Secretaria de Educação Especial. Brasília, DF: MEC; SEESP, 2002. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/aee_ead.pdf>. Acesso em 19 de mar. 2012.


CENSO ead.br/oranização, Associação Brasileira de Educação a Distância. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2010.


DELORS, Jacques. (Org.). Educação: um tesouro a descobrir. São Paulo: Cortez-MEC/UNESCO, 1998.


HARASIM, Linda. et al. Redes de aprendizagem: um guia para ensino e aprendizagem online. ed. Senac, São Paulo, 2005.


MATOS, Elizete Lúcia Moreira. MUGIATTI, Margarida Maria Teixeira de Freitas. Pedagogia Hospitalar: a humanização integrando educação e saúde. 4. ed. Petropólis, RJ. Vozes, 2009.


MATOS, Elizete Lúcia Moreira. (Org.). Escolarização Hospitalar: educação e saúde de mãos dadas para humanizar. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.


MATOS, Elizete Lúcia Moreira. TORRES, Patricia Lupion, (Org.). Teoria e prática na Pedagogia Hospitalar: novos cenários, novos desafios. 2. ed. rev. e ampliada. Curitiba: Champagnat, 2011.


MATTAR, João. Guia de Educação à Distância. Cengage Learning. São Paulo, 2011.


PONS, Juan de Pablos. Visões e conceitos sobre a tecnologia educacional. In: SANCHO, Juana. María. (Org.) Para uma Tecnologia Educacional. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 50-71.


SANCHO, Juana. María. A tecnologia: um modo de transformar o mundo carregado de ambivalência. In: __________. (Org.) Para uma Tecnologia Educacional. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2001, p. 23-49.


YIN, Robert. K. Estudo de Caso: planejamento e métodos. 4. ed. Porto Alegre: Bookman, 2010.






[1] Mestrando pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) - Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE). E-mail: glsievert@gmail.com
² Doutorando pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) - Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE).

segunda-feira, 20 de agosto de 2012

Pesquisando com o Google


Olá. Organizamos para você uma sequencia de passos que irão auxiliá-lo em pesquisas futuras e durante a realização de cursos. Siga a orientação e boa pesquisa!

 1° Passo: possuir uma conta no GMAIL do Google ou criá-la seguindo a orientação abaixo;

2° Passo: ao acessar o site do Google e iniciar uma pesquisa com o link: http://books.google.com.br/googlebooks/library.html


 3° Passo Visão Geral entrando por Minha Biblioteca.



4° Passo: escolha, ver um exemplo (em saiba mais - rapidamente) e a tela abaixo aparecerá. Ao clicar em Adicionar à minha biblioteca será solicitado sua conta e e-mail para dar continuidade ao processo.





5° Passo: ao acessar sua conta clicar em Minha Biblioteca, a sua esquerda você terá os seguintes itens para organização à medida que realiza sua pesquisa: Meus livros, Favoritos (adicione resultados da sua pesquisa), Vou ler (você pode adicionar livros, artigos, etc., para ler depois).


Você poderá observar que muitos livros estarão disponíveis trazendo iluminadas” as palavras da pesquisa solicitada.



Abaixo destaque da seção Vou ler.



Abaixo destaque da seção Favoritos.



 6° Passo: você pode realizar a pesquisa combinando palavras ou títulos conforme apresentado nas ilustrações abaixo.







7° Passo: explore a lista disponível, de opções, no Menu à esquerda da sua tela.  Ao clicar sobre um dos resultados da pesquisa o conteúdo abaixo poderá estar disponível.



 8° Passo: Ao clicar no Menu, esquerda da tela, Encontrar uma biblioteca, a seguinte tela se apresentará:



9° Passo: Voce já possui uma conta no GMAIL!!!! Acessar a conta e abrir o Menu + conforme ilustrado abaixo. Escolher livros . Terá também acesso a sua: “Minha Biblioteca”.







A você BOA SORTE!

Lembre-se: ao utilizar conteúdos de outros autores efetuar o devido crédito, com citações e referências.

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Paradigmas EDUCACIONAIS: CONEXÕES PARA A INOVAÇÃO


Paradigmas EDUCACIONAIS: CONEXÕES PARA A INOVAÇÃO

 RESUMO

Este estudo relata a experiência do grupo de trabalho da Disciplina Paradigmas Educacionais na Prática Pedagógica, do Programa de Pós-Graduação em Educação da PUCPR. O programa prevê o desenvolvimento da disciplina à luz de uma abordagem por meio do estudo dos paradigmas conservadores e inovadores. O contrato didático apresentado foi conduzido em etapas com aulas expositivas, projeções de vídeos e leituras de capítulos de autores diversos e que estão no eixo proposto e desenvolvido durante onze encontros. Durante o desenvolvimento dos conteúdos e após as leituras pertinentes a cada etapa os alunos apresentaram quadros sinópticos construídos a partir das leituras indicadas; após a elaboração e na sessão seguinte os pontos destacados foram discutidos pelos discentes e enriquecidos com os comentários efetuados pelo grupo.

Palavras-chave: paradigma, inovação, aliança, complexidade, aprendizagem.

Genaldo Luis Sievert

INTRODUÇÃO

A inovação, pelo que observamos no nosso dia a dia, deveria permear as ações dos indivíduos e refletir no conjunto, sociedade, os seus resultados. Não é diferente esta premissa no que cabe ao campo da educação e ensino. A questão é como realizar esta conexão, o que realizaremos para inovar. Com a resistência exercida pelo contexto social absorvido que está pelas condições impostas pelas políticas públicas aplicadas aos diversos níveis da educação e que é a barreira ser ultrapassada, as mudanças deverão surgir dos sujeitos que promovem a difusão dos ensinamentos.

Não bastassem estes fatores gerados pela globalização, como o capitalismo integrado pelas tecnologias da informação que é fator relevante de dominação por meio da influência imposta com a utilização das diversas mídias existentes, também a resistência dos profissionais que diariamente ocupam a condição de docente nas salas de aulas é a premissa básica, a atuação destes deveria ser como o Big Bang, assim o processo de formação funcionaria como um difusor por meio de múltiplos vetores em constante modificação e renovação.

            Neste sentido o presente artigo relata a experiência vivenciada durante a realização dos estudos da disciplina Paradigmas Educacionais na Prática Pedagógica, abrangendo os seguintes objetivos: Analisar reflexivamente os paradigmas e a sua influência na educação;  Realizar leituras críticas sobre os paradigmas que caracterizam a ação docente; Justificar a validade de optar por paradigmas inovadores no contexto educacional; Discutir criticamente o papel do professor e sua metodologia na atuação docente; Levantar, analisar e propor questões relevantes à opção paradigmática do profissional da educação; Refletir sobre o professor como profissional e os novos caminhos na formação continuada dos docentes universitários; Produção de artigo individual e coletivo sobre “Paradigmas educacionais e a prática pedagógica”.

 PROBLEMATIZAÇÃO

            A formação continuada dos professores nos remete ao paradigma da complexidade que nesta especificidade, aqui problematizada, acentua a necessidade de destacar a continuidade da formação para um ensinar inovador, holístico e reflexivo, conforme destacado por Behrens:

A produção de conhecimento com autonomia, com criatividade, com criticidade e espírito investigativo provoca a interpretação do conhecimento e não apenas a sua aceitação. Portanto, na prática pedagógica o professor deve propor um estudo sistemático, uma investigação orientada, para ultrapassar a visão de que o aluno é um objeto e torná-lo sujeito e produtor de seu próprio conhecimento. (2010, p.55).

            Muito mais do que saber fazer o pedagógico é necessário aprender a utilizar novas metodologias e proporcionar a adaptação destas ao novo contexto advindo pela evolução e disponibilidade de novas tecnologias.

            Desta forma insere-se a seguinte problematização: como propor uma ação docente do professor universitário que oportunize aprendizagem criativa, crítica e transformadora assentada em referenciais teóricos e práticos que subsidiem a prática educativa com paradigmas pedagógicos inovadores?

FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

            A sociedade globalizada tem sofrido mudanças aceleradas com o advento da Internet. Um novo espaço surge a partir de necessidades específicas, como a aplicação militar e industrial, que trouxeram à superfície do conhecimento novas condições de acesso à informação, comunicação, desenvolvimento de pesquisas, construção em rede de novas comunidades e não está excluída a educação.

Novos cenários surgem à frente destes profissionais da pedagogia e para enfrentá-los são necessárias estratégias, pois esta permitirá, segundo Morin (2011, p. 79): “A estratégia permite, a partir de uma decisão inicial, prever certo número de cenários para a ação, cenários que poderão ser modificados segundo as informações que vão chegar no curso da ação e segundo os acasos que vão se suceder e perturbar a ação”.

Os paradigmas educacionais estudados à exaustão deverão proporcionar aos docentes novas e boas formas de levar novas práticas às salas de aulas. Neste contexto este profissional deverá, segundo Behrens, reconhecer:

[...] que complexidade não é apenas um ato intelectual, mas também o desenvolvimento de novas ações individuais e coletivas que permitam desafiar os preconceitos, que lancem novas atitudes para encarar a vida, que gerem situações de enfrentamento dos medos e das conquistas. (2008, p. 21).

            Para o desenvolvimento dos estudos e da proposta de trabalho do grupo foram indicados para leitura de apoio os seguintes autores, entre outros: Maria da Graça Mizukami; Marilda Aparecida Behrens; José Carlos Libâneo; Maria Cândida Moraes; Edgar Morin; Marilin Ferguson; Fritoj Capra; Pierre Weil; Roberto Crema; Clodoaldo Cardoso Paulo Freire; Moacir Gadotti; Pedro Demo; Maria Isabel Cunha.

Neste viés os paradigmas devem ser considerados como objeto de estudo; neste contexto é pertinente entender o que é um paradigma. Behrens nos apresenta o seguinte entendimento:

Os paradigmas podem ser entendidos como a gama de crenças, valores e técnicas partilhadas pelos membros de uma comunidade científica. Portanto, os paradigmas caracterizam um determinado tempo histórico e contagiam todas as instituições que compõem a sociedade. Os paradigmas permitem entender os aportes teóricos, a explicação da prática dos profissionais e os costumes da população. Os paradigmas determinam o ser e o fazer e os costumes da população. (2011, p. 31).

                Os paradigmas podem ser entendidos, também, como as resistências provocadas, por exemplo, pela crença, ou mesmo como uma forma de pensar. Assim, Cardoso (1995, p. 17), Apud Behrens (2010, p. 26), propõe: “O conceito de paradigma é entendido por mim como um modelo de pensar e ser capaz de engendrar determinadas teorias e linhas de pensamento dando certa homogeneidade a um modo de o homem ser no mundo, nos diversos momentos históricos”.

            Os estudos a respeito da evolução e da permanência dos paradigmas, mesmo que modificados pela ação do tempo, da evolução socioeconômica, das transformações das sociedades complexas e modernas, porém, mais lentas em relação à evolução dos meios de difusão e acesso às informações são compreensíveis quando nos remetemos ao descrito por Morin:

Finalmente, é preciso estar consciente do problema do paradigma. Um paradigma impera sobre as mentes porque institui os conceitos soberanos e sua relação lógica (disjunção, conjunção, implicação), que governam, ocultamente, as concepções e as teorias cientificas realizadas sob seu império. (2011, p. 114).

            As abordagens semanais foram imbricadas à luz dos paradigmas conservadores, a crise do paradigma da ciência e a proposição de novo paradigma e os paradigmas inovadores ou da complexidade e a produção do conhecimento a partir deste marco por meio da aliança proposta por Behrens (2000) entre as abordagens: Progressista, Holística, Ensino com Pesquisa e as suas influências no que se refere ao aluno, professor, metodologia e avaliação.

DESENVOLVIMENTO

Uma nova proposta somente surgirá através da pesquisa e discussão dos processos já propostos para o ensino. Com o advento da comunicação eletrônica o dinamismo comunicativo evoluiu rapidamente permitindo a aceleração do encontro e da proximidade exigida entre docente e discentes.

Esta rápida evolução exige que as práticas atuais, conservadoras, sejam revistas, discutidas amplamente entre os envolvidos para que a transmissão deixe de circular passivamente sofrendo estímulos apenas daquele que a emitiu, o professor.

Durante os encontros realizados dentro deste projeto inovador, obeserva-se que a passividade ainda permeia os discentes que encabulados permacem como simples ouvintes. Percebe-se que há espaço para evoluir, porém, o tempo disponibilizado para as discussões, parece ser curto e não permite a ampliação das discussões e, diálogos inovadores, possivelmente, permanecem silenciosos.

O instigar está presente, resta aos participantes vitaminar o diálogo enriquecedor que, às vezes, parece sonolento. Uma nova prática pedagógica surgirá com o diálogo, pesquisa e formulação embasada no conhecimento e experimentação. O ensinar vive seu momento de rediscussão e não pode perder esta oportunidade de aproximação definitiva para com as pessoas que buscam a continuidade de crescimento através do aperfeiçoamento.

O universo envolvido, objeto deste artigo: discentes do Programa de Pós-Graduação em Educação Strictu Senso,  professores de diferentes áreas do conhecimento.  

A metodologia de pesquisa: pesquisa ação porque houve intervenção no processo formativo, pois, segundo Vieira: “a pesquisa ação tem a finalidade de implementar mudanças em uma comunidade. O pesquisador é o agente, mas a comunidade também participa da pesquisa ativamente, para melhorar o próprio desempenho ou a qualidade de vida de seus membros” (VIEIRA, 2009, p. 13); os dados são qualitativos: “A pesquisa qualitativa mostra as opiniões, as atitudes e os hábitos de pequenos grupos, selecionados de acordo com perfis determinados”  (VIEIRA, 2009, p. 6).

A intervenção visa instigar o grupo objetivando o desenvolvimento de um novo formato para a prática da docência. A identificação entre humanos se dá pela linguagem oral e física, pela identidade de gerações tão distintas por meio da utilização de modernas práticas de comunicação de uso comum.

Fases da pesquisa: encontros do Grupo, produção individual e coletiva, discussão crítica e elaboração de quadros sinópticos sobre paradigmas conservadores e inovadores.

Esta fase foi precedida de intensa, porém, enriquecedora teoria contextualizando no tempo e no espaço as paradigmáticas discussões conservadoras e inovadoras que permeiam as formas docentes de transmissão do conhecimento. A prática evolutiva de teoria e contextualização, a identificação dos processos e a posterior identificação das principais características de cada etapa por meio da construção de quadros sinópticos.

Fatores que impedem a mudança.

O indivíduo como sujeito do processo de mudança paradigmática é o grande desafio da formação para aplicação de um novo modelo. Um novo paradigma sofrerá as resistências do sujeito acostumado que está ao conforto em que ora se situa.

A individualidade e a capacidade de análise das informações variam de sujeito para sujeito e criam as resistências às mudanças. A ruptura só acontecerá com a conscientização do indivíduo, com igualdade, tão sonhada, econômica e cultural para as pessoas. A distribuição igualitária, hoje, não se dá em nenhum campo da evolução humana. O homem evoluiu da produção da sobrevivência para a produção para a comunidade, desta e dos conhecimentos acumulados para a produção baseada nos conhecimentos. Desta o patamar seguinte foi à produção em massa e a pobreza em escala na mesma proporção. Não haverá século que irá superar paradigmas se não houver possibilidades de transferência de riqueza ou conhecimento em igualdade de condições. A miopia e a ganância são fatores impeditivos para que paradigmas sejam rompidos ou modificados. Nova situação novo paradigma, o que ganhamos com isto? A possibilidade de evoluir com pensamento crítico e inovador.  
Paradigmas Conservadores.

Os Paradigmas Conservadores tem sua origem na fragmentação do todo em partes, proposto na teoria newtoniano-cartesiana. Esta teoria da fragmentação começou a ser repensada a partir de 1905, quando associado à teoria evolucionista da espécie, surge à teoria da relatividade proposta por Einstein e à teoria quântica apresentada por Max Planck. Estas teorias causaram impacto e provocaram novas discussões. As partes passaram a ser entendidas como elementos do todo. As relações surgem das interações.

Neste momento um novo esforço se realiza buscando deixar o isolamento em busca da interação sócio educativa. No conjunto da ação destaca-se a busca pela interação das disciplinas, da interconexão destas para a formação de uma rede interligada e em constante enriquecimento cultural. O novo desafio está na busca do equilíbrio entre as partes e a interação entre os sujeitos da ação.

O Paradigma Conservador Tradicional centrou sua metodologia no professor destacando neste as características: transmissor de conteúdos através da repetição do conhecimento; ao aluno imputou a característica de repetidor passivo; uma metodologia conservadora voltada para a repetição e manutenção da cultura e para esta ação a avaliação com ênfase na memorização.

A Escolanova, Humanista, Renovada Não-Diretiva, reorientou a ação do professor situando-o como um facilitador/orientador que respeita o individual do aluno; este último é motivado a participar das atividades e experiências, conseqüentemente temos uma metodologia centrada na pessoa com trabalhos em grupos e experiências concretas; a avaliação valoriza aspectos afetivos e enfatiza a auto avaliação.

O Tecnicista Comportamentalista sofre uma correção de rumo trazendo o professor para as características de técnico que garante a eficiência e eficácia do ensino, influência cartesiana da reprodução; por sua vez o aluno é privado de criticidade, é eficiente e reprodutivo, inspira estímulo e reforço; a avaliação é centrada na reprodução, o planejamento é instrumento de controle, ênfase nos meios de ensino; a avaliação exige memória e retenção para a etapa seguinte.

Mudança Paradigmática.

O grande desafio está na superação da prática do fragmentado e da reprodução. A superação visa à produção do conhecimento com o envolvimento do aluno buscando valorizar a reflexão, a curiosidade, o questionamento, a análise da incerteza para a reconstrução de uma nova prática educativa, moderna, realista, humana e centrada na produção do conhecimento, na reciclagem constante para manter o conhecimento alinhado com a velocidade transformadora provocada pela nova rede mundial de difusão do conhecimento, a internet e suas ferramentas.

Um sujeito crítico e inovador está presente neste contexto e cabe às instituições, pedagogos e cientistas, produtores do conhecimento, criar mecanismos dinâmicos e em constante avaliação e inserção no mundo dinâmico que ora se apresenta e que vá de encontro aos anseios desta nova classe social que anseia por conhecimento e evolução socioeconômica. A cultura está no centro humanizador, ela construtiva, reformadora, instigadora. O fazer refletir leva à ação. Através da ação a produção de conhecimentos ou bens para o desenvolvimento social.

Análise dos pontos positivos e negativos do Paradigma Conservador.

A técnica na sua essência leva ao aperfeiçoamento e torna o profissional a ser apto para inserção no mercado. Por outro lado deixa ao segundo plano o lado humanista e provoca a destruição de valores e convivência sadia entre seres de todo o planeta. Valores como a solidariedade, paz, justiça e amor ao próximo são relegados a um plano que se perde no retrovisor do fazer de conta que tudo deve ser do jeito que é.

Paradigmas Inovadores.

Até onde sabemos o novo já é ontem. Os novos paradigmas inserem a dinâmica do desenvolvimento intelectual, do compartilhamento de idéias, da interconexão professor/aluno e sociedade, o ponto de partida e de chegada é a prática social, do concreto ao teórico numa avaliação contínua, processual e transformadora, humana e de amor ao próximo. Paradigmas inovadores estão, na essência, voltados para a produção do conhecimento.

No contexto inovador a abordagem progressista destaca o professor como elemento que estabelece a relação e o diálogo, nega a repressão, é mediador e lidera pela competência, atua como líder, é ético, democrático e autentico, preocupa-se com a consciência crítica e mudanças sociais, respeita os alunos e acredita neles; estes por sua vez buscam o desenvolvimento intelectual através do compartilhamento de ideias.

Metodologia através da prática social, discussão, realidade. Avaliação pela exigência, rigorosidade e competência, todos são responsáveis pelo sucesso ou fracasso.

A abordagem holística enseja um professor competente, instigador, estimulador, indutivo, sensível e criativo formador para o todo. O aluno complexo vive coletivamente, é único, criativo e talentoso, possui autonomia, reflete, é ético, crítico, construtor. A metodologia privilegia a parceria num processo coletivo de construção do conhecimento. A avaliação se dá pelo fazer visando à construção do todo.

O Ensino com Pesquisa destaca um professor orquestrador da construção do conhecimento, articulador crítico e criativo, instiga o aprender a aprender, transcende a posição de instrutor; o aluno recebe destaque como questionador, investigador, possuidor de raciocínio lógico, criativo, respeitador e ético, buscam o consenso ao trabalhar; a metodologia é contínua, processual e participativa. Enfoca o conhecimento, valoriza a reflexão. A avaliação é contínua e processual. Participativa, aberta entre aluno e professor.

Pontos positivos e negativos dos paradigmas inovadores.

A busca constante pelo renovar para aperfeiçoar, para melhor conviver e respeitar é o que há de mais positivo. A análise e busca incessante pelo novo e produtivo conhecimento é o que há de relevante nos paradigmas inovadores. A consciência e o respeito mútuo daquele que transmite e do sujeito que recebe é marcante neste processo contínuo de renovação paradigmática. De negativo, apresenta-se a sociedade produtiva e que inspira a competição e o sucesso como máximas a serem seguidas sem questionamento, levando o sujeito para o caminho da individualidade.

O fato é que estamos orientando e/ou educando/formando pessoas, e que pessoas são diferentes umas das outras e requerem cuidados diferentes por parte de seus orientadores. Daí decorre a necessidade de mudança, renovada e constante por parte de educadores e educandos. Requer atenção do Estado, da sociedade e de instituições.

Considerações finais

Um esforço conjunto se faz mister. Instituições de ensino devem reunir o maior número possível de profissionais competentes e inovadores, não apenas como compromisso, mas como investimento em capital intelectual inovador.

Reunir seus principais desenvolvedores de inovação intelectual é a essência para as unidades transformadoras do conhecimento em uma era em que a velocidade de transmissão de dados supera as limitações dos paradigmas.

Porque o ensino deve ser inovado constantemente e dele faz parte o sujeito que recebe as inovações e ao mesmo tempo é conduzido ou instigado a provocar modificações que possam ser consideradas relevantes e inovadoras.

Uma prática inovadora visa à integração da instituição de ensino e unidades de produção de bens de capital e de consumo. Afinal a produção de conhecimento é levada até aquelas e volta aos campos do ensino para rediscussão e elaboração de novos processos numa aliança contínua.

Assim as premissas postuladas nos Paradigmas Inovadores são como uma oportunidade de desenvolvimento das pessoas, das sociedades e uma forma de difusão do conhecimento.  A inovação proposta, por esta aliança, deverá ser estimulada a ser aplicada em todos os campos do desenvolvimento humano, onde há uma pessoa deverá haver desenvolvimento e compartilhamento e que este desenvolva na coletividade o bem estar.  Como metodologia para uma boa prática, entendo que, uma interação entre a prática proposta de contrato de trabalho mesclada com estudo através de pesquisa seja possível uma maior integração entre teoria e pesquisa. A metodologia é satisfatória e com certeza será motivo de proposta modificadora e motivadora nas praticas docentes.

Referências

BEHRENS, Marilda Aparecida. Conexão Paradigmática da Saúde e Educação: desafio do reencontro possível. In: Elizete Lúcia Moreira Matos, Patrícia Lupion Torres. (Org.) Teoria e prática na pedagogia hospitalar: novos cenários, novos desafios. 2. ed. rev. e ampl. Curitiba: Champagnat, 2011, p. 23-44.

BEHRENS, Marilda Aparecida. O paradigma emergente e a prática pedagógica. 4. Ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2010.

BEHRENS, Marilda Aparecida. Paradigma da complexidade: metodologia de projetos, contratos didáticos e portfólios. 2. ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 2008.

MORIN, Edgar. A cabeça bem feita: repensar a reforma, reformar o pensamento. 19ª ed. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2011.

MORIN, Edgar. Introdução ao pensamento complexo. 4. ed. Porto Alegre: Sulina, 2011.

VIEIRA, Sonia. Como elaborar questionários. São Paulo: Atlas, 2009.